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Esqueceram de nós

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Esqueceram de nós. Tozan

Um dos assuntos que ainda incomodam as reuniões de pauta para desenvolvimento de produtos e embalagens é a questão da venda por volume ou de nicho. Preço baixo para vender mais ou margens maiores em mercado segmentados. Acontece que um detalhe vem passando despercebido ou quem sabe deixado de lado por falta de domínio específico. Este buraco negro pode ser considerado hoje no Brasil a salvação da lavoura para muitas empresas e um diferencial competitivo para o varejo.

Mulheres, crianças e idosos apresentam para o cenário mercadológico um dos principais focos de consumo para os dias atuais e próximos 20 anos só para podermos pontuar nossos movimentos.

Alguns números referendam tais afirmativas: 80% das compras realizadas nos supermercados são feitas por mulheres, que já são em muitas vezes a chefe da família e provedora da renda familiar; 22 milhões da nossa população já passam dos 60 anos em 2025 serão 32 milhões; 1/3 dos brasileiros estão computados na faixa entre a infância e adolescência.

Muito bem, temos aqui um prato cheio para qualquer plano estratégico, mas também como nossos governantes palacianos, patinamos na compreensão analítica e prática do que realmente são estes seres que há mais de quinhentos anos fazem parte da cadeia natural luso-brasileira.

Do mesmo jeito que mandamos nossos aposentados com mais de 90 anos para filas no calor escaldante, formatamos produtos com dizeres e tipologias que nem nosso amigo Clark Kent, com sua visão além do alcance, poderia ler. E as embalagens multipacks, baratas sim, mas com uns kilinhos a mais, nada ergonômicas para não dizer um “tremendo mico” para as mãos, ainda que me conste, delicadas das mulheres, alças nem pensar, é custo! Embalagens para crianças, estas sim poderiam ter um slogan campeão: difíceis de abrir, de consumir, de manusear, mas com cores e bichinhos que fazem a diferença. Algumas delas são ícones em certas categorias, este é o poder do marketing sem pesquisa e análises despretensiosas.

 

CHRISTIAN KLEIN
Café Utam

Fazendo uma alusão, tipo programa do Ratinho, podíamos comparar a situação ergonômica e práticas das embalagens a violência contra a mulher e o trabalho infantil. Todo mundo está ciente do assunto, mas ninguém toma a frente para resolvê-lo.

O lado positivo de tudo isto é que as oportunidades estão escancaradas, cabe entendê-las e trabalhar com coerência, pois estes três públicos são distintos e 
com uma evolução brutal de postura e necessidades básicas.

Esqueceram de nós rodape